segunda-feira, 7 de janeiro de 2013


Cirurgião do Ano
O Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a maior entidade de Cirurgiões da América Latina, com 6.445 Membros no Brasil, anualmente, desde 1970, escolhe o Cirurgião do Ano pelo acervo de atividades na assistência, ensino e pesquisa e que tenha contribuído significativamente para o desenvolvimento e progresso da Cirurgia brasileira.
Entre as destacadas figuras, encontram-se Ivo Pitangui (2006) Adib Jatene (2005) e Elyseo Paglioli (1978), esse o primeiro gaúcho até hoje distinguido.
Luiz Rohde, em solenidade especial, no dia 07/12/2012, receberá o Prêmio CBC no Rio de Janeiro, outorgado pelo Conselho Superior e Diretório Nacional. 
Ele é natural de Paraíso do Sul, Livre Docente em Cirurgia, Professor Emérito da UFRGS, Membro Emérito do CBC e Benemérito do CBCD.

Cursos de pós-graduação não podem conferir título de especialista ao médico

TRF determina que pós-graduado não pode se inscrever nos conselhos de medicina como especialista ou anunciar títulos

Uma decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região, publicada em novembro, consolida entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM) de que cursos de pós-graduação lato sensu não conferem ao médico o direito de se inscrever nos conselhos de medicina como especialistas ou anunciarem tais títulos. A decisão indeferiu recurso de médicos que pleiteavam usar, em anúncios, a expressão "pós-graduados". Pleiteavam, ainda que o art. 3º, alínea "i" da Resolução CFM 1.974/11 tivesse seus efeitos suspensos.

O TRF, no entanto, entendeu e frisou que títulos acadêmicos (de pós-graduação lato sensu), ainda que reconhecidos pelo MEC, podem se confundir, aos olhos leigos, com a especialidade médica reconhecida pelos conselhos de medicina. "Portanto, para se reconhecer a especialidade médica, o conselho pode, legitimamente, ser mais exigente do que o MEC, ao regulamentar requisitos mínimos".

Em sua deliberação, o tribunal ressaltou que "de nenhuma maneira a atuação do CFM impede ou inibe a aquisição de graus superiores de educação". No documento, o juiz federal Renato Martins Prates argumenta que a decisão pretende impedir que o médico que somente tenha curso de pós-graduação possa ser admitido como especialista em determinada área médica sem possuir todos os requisitos necessários, induzindo a clientela à confusão.

Para o CFM, a decisão está de acordo com a legislação e as normas que disciplinam a matéria, tornando evidente a competência da entidade para determinar, por meio de resolução, as qualificações necessárias à publicidade de especialidades médicas. A decisão "estabelece de maneira inquestionável que cursos lato sensu não outorgam valores para a prática profissional ou habilitações para anúncio publicitário de especialidades médicas", avalia o 1º vice-presidente Carlos Vital.

De acordo com a resolução, é vetado o anúncio de pós-graduação realizada para a capacitação pedagógica, exceto quando estiver relacionado à especialidade ou área de atuação devidamente registrada no CRM.

CFM reforça entendimento aos médicos

Em diversos informes aos médicos, o CFM tem destacado que cursos de pós-graduação lato sensu, ainda que reconhecidos pelo MEC, não têm valor para a atividade profissional e não habilitam ao médico se anunciar como especialista, tendo somente valor acadêmico.

Apenas duas formas podem levar o médico a obter a especialização: por meio de uma prova de títulos e habilidades das sociedades de especialidades filiadas à Associação Médica Brasileira e/ou por residência médica reconhecida pela Comissão Nacional de Residência Médica.

A entidade tem debatido constantemente o assunto e está atenta a propagandas de alguns cursos que induzem a interpretação equivocada. Ressalta, ainda que a residência multiprofissional é uma modalidade lato sensu destinada às categorias profissionais da área da saúde, exceto a médica (Lei 11.129/05). Em se tratando dessas três opções (residência multiprofissional, cursos de especialização e residência médica), apenas aos que cursaram esta última pode ser conferido o título de especialista. O médico somente poderá anunciar especialidade quando o título estiver registrado no CRM.


Autor: CFM
Fonte: Isaúde.net

terça-feira, 13 de novembro de 2012


SOBRE ENSINAR MEDICINA

A insatisfação com o ensino da Medicina não é de agora. Encontrei artigo de Thomas Hodgkin (Londres,1827) intitulado “Ensaio sobre Educação Médica”, que compara o ensino à época, à educação médica do século IX. O mais extenso trabalho que conheço foi publicado em 1979 no American Journal of Public Health por Vanderschmidt e envolveu sete diferentes países – Colombia, Honduras, Líbano, Malásia, Nepal, Vietnan e Republica de Camarões. As limitações e as necessidades de cada lugar impediram uma conclusão satisfatória a respeito da melhor técnica a ser aplicada, mas conclui, categoricamente, que em cada local, alunos tem características particulares que devem ser observadas pelos professores que almejam algum sucesso em sua atividade.

Aqui as coisas não se passam de modo muito diverso. Recentemente a nossa valorosa Faculdade que hoje está pontuada como a melhor Faculdade de Medicina Privada do País, divulgou um roteiro a ser cumprido pelos professores no sentido de avalia-los e “pontuá-los” de acordo com certos itens estabelecidos.

Sem nenhuma pretensão de julgar o mérito da questão, não pude deixar de refletir sobre o momento que passamos na vida acadêmica.

É do filósofo Luiz Felipe Pondé a frase seguinte: “Não existiria filosofia, se nossos patriarcas, de Platão a Nietzsche tivessem que preencher o Lattes, fazer relatórios Capes, ou serem ‘produtivos’. Todos seriam o que, aos poucos nos transformamos: burocratas mudos da própria irrelevância. Analfabetos do pensamento”

Pensem comigo: imaginem Hipócrates preenchendo o currículo Lattes, uma plataforma informatizada que supostamente democratiza o acesso à produtividade da comunidade acadêmica, ao mesmo tempo em que normatiza e quantifica uma produtividade de valor, às vezes, discutível. Teria ele tido tempo e tranquilidade para pensar o Juramento? Duvido.

Talvez exagere um pouco o filósofo, pois, afinal, precisamos jogar conforme as regras do jogo, dirão alguns. Entretanto, não me parece saudável sobreviver a estas exigências fazendo com que nossos alunos pesquisem o que não gostariam de pesquisar, de uma forma que não querem, com a única finalidade de garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Não estamos esmagando a criatividade? Não estamos deixando de observar a característica individual de cada aluno e, somente para preencher formulários e relatórios, criamos uma tropa de estatísticos? A universidade defende a liberdade de pensamento? Conduz à Verdade? Será que a aplicação de tantas “ideias modernas” no dizer de Nietzsche, não se transformará em processos de produção de nulidades em grande escala?

Como diria Millor Fernandes : Livre pensar é só pensar...

Prof. Dr. Plinio Carlos Baú - Chefe do Serviço de Cirurgia Geral da PUC-RS

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Curso de Videocirurgia para academicos de Medicina


Iniciativa do nosso ex-aluno, Dr. Mauricio Spagnol,  do Curso de Pós-Graduação em Cirurgia Minimamente Invasiva do Instituto de Educação e Pesquisa do Hospital Moinhos de Vento e atual professor do pós-Graduação em Cirurgia Minimamente Invasiva do CETREX em Brasília, DF e da UNIO Chapecó

O Curso de iniciação em Videocirurgia foi ministrado aos acadêmicos que estão cursando do 4° ao 12º período do curso de Medicina na Unochapecó, no dia 28 de setembro. O tema não faz parte da grade curricular dos universitários, porem é uma área em expansão no campo da medicina. O curso foi dividido em duas fases sendo o primeiro módulo teórico que aconteceu no dia 28 de setembro, abordada por diferentes profissionais de várias especialidades, e um segundo módulo, prático, que aconteceu nos dias 27 e 28 de outubro, e o próximo acontecera nos 1 e 2 de dezembro.

A finalidade do curso é fazer com que os estudantes tenham um primeiro contato com essa modalidade cirúrgica que atualmente é reconhecida como fundamental na prática médica além de conhecer os equipamentos utilizados nos procedimentos videocirúrgicos. Além dos acadêmicos poderem realizar uma avaliação dos aspectos fundamentais da videocirurgia, como os conceitos básicos sobre o método, indicações, equipamento e característica da anestesia. Os estudantes ainda podem reconhecer as possibilidades de aplicação do método nas diversas áreas que compõem a Clínica Cirúrgica. Durante o curso os estudantes ainda realizam procedimentos videocirúrgicos modelos experimentais específicos sob a supervisão de profissionais capacitados reconhecendo as possibilidades e o campo de atuação em Cirurgia Videolaparoscópica.



Temas abordados

O primeiro tema abordado foi o “Histórico e conceitos em videocirurgia ” ministrado pelo Cirurgião Geral, Dr. Maurício Spagnol, logo após o Ginecologista, Dr. Juliano Esbissigo tratou sobre os “Equipamento e instrumental para videocirurgia”. Ainda na manhã do dia 28 o acadêmico do 8º período de Medicina, Gustavo Andreis explicou aos universitários presentes o que é “Pneumoperitôneo”, o tema “Implicações anestésicas em videocirurgia” foi repassado aos universitários pelo Anestesiologista, Dr. Fabrício Zasso.

Durante a tarde o primeiro tema trabalhado foi “Eletrocirurgia e fontes de energia” pelos acadêmicos do 6º período de Medicina, Bernardo Basso e Rafael Martarello, em seguida o Urologista Dr. Paulo Caldas ministrou sobre o tema “Complicações em Videocirurgia”, o Cirurgião Geral, Dr. Maurício Spagnol, encerrou as atividades do dia com o tema “Estado atual e futuro da Videocirurgia”. O Módulo teórico do curso encerra com as apresentações das atividades práticas, que serão demostradas através de vídeos, a primeira fase aconteceu no dias 25 de outubro, a próxima fase acontece no dia 30 de novembro.



Aulas práticas

Através de simuladores práticos com instrumentos específicos para laparoscopia, esses alunos do curso realizam treinamento em diferentes materiais e exercícios, adquirindo e melhorando habilidades manuais necessárias para o domínio e segurança da técnica.

Atividades como “caixa de fósforos” que consiste em abrir, retirar alguns palitos, fazer uma figura geométrica e guardar os palitos; “cobra rope drill” sendo o exercício de passar o cordão com ambas as mãos e as mantendo (ou alternado) entre as mesmas cores do cordão, serão aplicadas no período matutino. Durante a tarde serão aplicadas técnicas de endo-suturas. Isso para que os universitários exerçam movimentos que que são utilizados durante uma Cirurgia Videolaparoscópica.

O curso de Medicina da Unochapecó é um dos primeiros do Brasil a proporcionar aos acadêmicos, ainda na graduação, um contato prévio com a Videocirurgia, possibilitando um processo de aprendizado efetivo e de forma gradual aos futuros profissionais. Para que no futuro o método não seja uma barreira no tratamento dos pacientes e sim um excelente instrumento para a prática cirúrgica de forma segura e eficiente.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

HÉRNIA INCISIONAL PÓS CIRURGIA PORTAL ÚNICO

O que era era esperado, começa a aparecer. As cirurgias de portal único parecem realmente dar mais hérnia umbilical. Vejam o artigo abaixo publicado no  J Laparoendosc Adv Surg Tech A. 2012 Oct;22(8):731-7.

Incisional hernia rate may increase after single-port cholecystectomy.
Alptekin H, Yilmaz H, Acar F, Kafali ME, Sahin M.
Department of General Surgery, Selcuklu Medical School, Selcuk University , Konya, Turkey .

Abstract 
Background: The major concerns of single-port cholecystectomy are port-site hernia and cost. Essentially, a larger transumbilical incision is more likely to increase the incidence of incisional hernia. The effect of single-port cholecystectomy on hospital cost is controversial. This study evaluated single-port cholecystectomy and traditional four-port cholecystectomy with respect to perioperative outcomes, hospital cost, and postoperative complications.
Patients and Methods: Between January 2010 and March 2011, 52 patients underwent single-port cholecystectomy, and 111 patients underwent traditional laparoscopic cholecystectomy. We used equal instruments in patients undergoing operation with the same surgical technique. Demographics, diagnosis, operative data, complications, length of hospital stay, and cost were compared between the two groups. Results: The patients undergoing laparoscopic cholecystectomy were significantly older than patients undergoing single-port cholecystectomy (55.8±13.8 years versus 48.7±12.7 years, P=.002). The trocar site hernia rate was 1.8% in laparoscopic cholecystectomy, and the port-site herniarate was 5.8% in single-port cholecystectomy. This is the highest rate reported in the literature for port-site hernia following single-port cholecystectomy. Surgical techniques were not different in terms of conversion to open surgery, postoperative hospital stay, and operative time. The relative cost of single-port cholecystectomy versus laparoscopic cholecystectomy was 1.54.
Conclusions: Although single-port cholecystectomy seems to be a feasible surgical technique, it is not superior over the traditional laparoscopic cholecystectomy. Single-port cholecystectomy is equal to laparoscopic cholecystectomy with respect to conversion to open surgery, postoperative hospital stay, and operative time, but it is associated with high hospital cost and high port-site hernia rate.

Não há dúvida que há espaço para este tipo de procedimento. Os dois principais enganos são:
1. Insistir com procedimentos comuns, porém em que não acrescentam nada (só problemas e custos), tipo colecistectomia.
2. Insistir em single-site, quando o melhor é multiport (com mini, se possível).


quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Do site globo.com - 15/10/2012
Raio X mostra objeto esquecido em mulher 5 meses após cirurgia no DF
Servente diz sentir dores constantes desde que tirou pedras da vesícula.
Secretaria de Saúde disse que caso pode ser investigado após denúncia.

Cinco meses após uma mulher de 45 anos realizar cirurgia de vesícula no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, um exame de raio X abdominal detectou a presença de um clipe metálico dentro do corpo dela, na cavidade pélvica. Adriana Dias Vieira fez a cirurgia em 11 de maio, para retirada de pedras da vesícula, e, desde então, diz sentir dores constantes na barriga.

No último dia 8, Adriana, que é servente terceirizada da Câmara dos Deputados, passou por exame de raio X no departamento médico da Casa. “O médico que analisou o exame disse que foi detectado um objeto metálico lá dentro. Ele falou para eu realizar novo exame dias depois, porque caso fosse algo que eu tivesse comido, ia acabar saindo”, afirmou a servente.

O segundo exame, feito na última quinta-feira (11), detectou o clipe metálico novamente. “A única cirurgia que eu fiz foi a da vesícula. Pode ter acontecido algum acidente e ter caído alguma coisa”, disse Adriana.
Em nota, a assessoria da Secretaria de Saúde afirmou que a utilização de clipes em alguns procedimentos cirúrgicos é normal e que o procedimento é consagrado no mundo inteiro. No caso de Adriana Dias Vieira, o clipe foi usado para operação de vesícula e não houve nenhuma anormalidade na operação, diz a nota.

A secretaria informou ainda que Adriana precisa fazer denúncia junto à ouvidoria do Hran para que o caso seja apurado. Conforme a pasta, não foi recebida queixa formal da paciente e ela vai entrar na fila de atendimento para fazer todos os exames e procedimentos necessários.
Na tarde desta segunda-feira (15), Adriana passou por tomografia, que foi levada para análise no Hran. A servente informou que foi encaminhada de volta para o hospital depois de levar o raio X a um posto de saúde.

Segundo ela, o médico que a atendeu disse que há casos em que grampos são deixados no corpo do paciente depois da cirurgia. “Eles disseram que isso, o grampo ficar dentro da pessoa, é normal, que tem pessoas que fazem a cirurgia e ficam vários grampos dentro”, afirmou.

                      Clipe metálico na cavidade pélvica visto em raio X (Foto: Foto: Felipe Neri/G1)

OBS. Intercorrência usual em colecistectomia videolaparoscópica em que a maior parte dos cirurgiões usam clips, a queda de clips pode eventualmente gerar alguma intercorrência. Existem relatos incidentais na literatura. De qualquer maneira, é pouco provável que o quadro clínico do paciente seja causado por este clip. O ideal é não usar clip e se utilizá-lo, ter material adequado e o cuidado de visualizar a entrada do clipador.



O II Congresso Brasileiro de Hérnia / I Congresso Latino-americano de Hérnia realizado no Instituto de Educação e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês foi um grande sucesso de acordo com a avaliação da maioria dos congressistas que respondeu à pesquisa de satisfação.

Houve um número recorde de inscritos e isto, sem dúvida, é a resposta positiva dos profissionais que perceberam o empenho em criar uma programação científica com conteúdo relevante e ministrada por grandes especialistas: foram 422 participantes (entre palestrantes e congressistas) oriundos de 25 estados brasileiros e outros 10 diferentes países, além de 172 representantes dos patrocinadores e expositores.

O próximo Congresso será realizado em Porto Alegre com a presidência do novo condutor da Sociedade Brasileira de Hérnia - o gaúcho Dr. Leandro Totti Cavazzola.